História do Carimbó

22 DEZ 2016
22 de Dezembro de 2016

O Carimbó que se pratica hoje, ritmo tipicamente nortista, definido na região do Salgado do Estado do Pará é o CARIMBÓ PRAIANO cuja tradição remonta ao século XVIII tem sua evolução na região do Salgado em épocas bem marcantes nas fazendas e sítios, onde os negros escravos predominavam com seu trabalho. Através do batuque encontrou-se o ritmo denominado de carimbó, transformando-se em lazer, cuja dança favorecia o afastamento do estado nostálgico do negro.


A característica do carimbó ou curimbó provem, originariamente, da qualidade do tambor usado pelos negros, chamado de carimbó, principal instrumento do batuque.

O Carimbó não se resume apenas nas variações ou nos movimentos dos dançarinos, visto que possui coreografia variada e bem definida e que obedece um certo ritual que os mais antigos, obrigatoriamente, seguiam como determinado para se dançar, pois, com certeza o ritmo, como a cantiga e o balanço do corpo serviam para exprimir as vibrações da dança e que chegavam a encenação de imitação dos bichos. Daí se ter a dança do peru, da formiga, do tatu, do carneiro etc. Em inúmeras músicas registradas pode-se encontrar alusões a bichos, pássaros, pessoas do povo ou fatos bem comuns, assim que temos poesias em ritmo de carimbó homenageando a periquitambóia (cobra), o jacaré, o tubarão, a lavadeira, o Peru, da Atalaia (posto de observação), O roda pião, o maçarico etc. Na verdade, e, é bom que se diga, que o carimbó também é a expressão viva do lamento caboclo, de sua desilusão com os dirigentes, ou para alertar, ou dar recados importantes, demonstrar a ilusão no amor, como maneira expressiva da crônica diária que vivem os poetas, pescadores, lavradores ou pagodeiros.


Segundo o historiador Agripino Almeida da Conceição, o carimbó de Marapanim, tido como o berçário dessa dança, teria nascido na localidade Santo Antônio, hoje Maranhão, em homenagem aos primeiros moradores, que eram emigrantes vindos do Estado do Maranhão e que teriam juntado alguns elementos, ao batuque e encontrado o ritmo que denominaram de carimbó, exatamente devido aos tambores de madeira oca, com um couro de veado ou caetetú teso e presos com pregos à boca, que batidos produziam um som bastante contagiante. Na localidade de Santo Antônio, o Carimbó teria dado origem a Irmandade de São Benedito, que era responsável por festas religiosas e profanas. Mais tarde essa irmandade sofreu ruptura no seu quadro social, surgindo em conseqüência a Irmandade de São João Batista, que aderia como parte profana o Boi-Bumbá, iniciado exatamente pelos maranhenses nômades.
Alguns historiadores, inclusive o antropólogo Vicente Salles, dizem que o carimbó surgiu da necessidade que o negro sentia para compensar as horas do trabalho, daí ter criado o canto do trabalho, onde levantava tipos naturais de seu dia-a-dia. Era o melhor meio de fuga, segundo Vicente Salles, e a lúdica para o povo era a suprema vontade de se divertir e transformar as músicas em ritmo de dança.

Vicente Chermont, o carimbó "é feito de um tronco, internamente escavado, de cerca de um metro de comprimento e de 30 centímetros de diâmetro, sob uma das aberturas se aplica um couro descabelado de veado, bem entesado. Senta-se o tocador sobre o tronco e bate em cadência com um ritmo especial, tendo por baquetas as próprias mãos. Usa-se o carimbó na dança denominada batuque, importada da África pelos negros cativos".

Portanto, carimbó, na concepção de Vicente Chermont, é o tambor e não a dança. Posteriormente, os nossos caboclos adaptaram o nome do tambor à dança e que permanece como tal, até hoje.

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